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Saiba tudo sobre a atividade do optometrista

A optometria está presente na vida das pessoas há mais de um século. No Brasil, ela ganhou status de carreira reconhecida há cerca de três anos. Leandro Rhein, coordenador do curso de Óptica e Optometria da Universidade Braz Cubas, explica nesta entrevista para o Centro Ótico o campo de atuação do optometrista.

Como funciona a diferença entre os cursos de optometria e de oftalmologia?
O futuro oftalmologista deve fazer medicina depois se especializar por mais três anos em Oftalmologia. Já o óptico-optometrista hoje tem três cursos distintos, o curso técnico, tecnologia de dois anos e bacharelado só em Optometria. A principal diferença entre esses três cursos é o fato de o técnico e o tecnólogo não poderem ser responsáveis técnicos por uma ótica, enquanto que o graduado em Optometria pode. Outra diferença importante entre o curso técnico e o superior é o aparato tecnológico maior e os subsídios para verificação de patologias, além de ter maior gama de especializações em que os alunos do nível superior têm uma carga horária maior.

Se fossemos fazer uma comparação, seria a diferença entre o técnico de contabilidade e o contador?
Exato. Na verdade, como a optometria é uma carreira que está em fase de regulamentação, ainda não há uma diferenciação entre as profissões.

Qual o campo de trabalho para o optometrista aqui no Brasil?
O campo de trabalho oferece um leque amplo de opções. Nossos alunos já estão preenchendo no mercado posições como optometristas em clínicas oftalmológicas, podem abrir sua própria ótica ou consultório para atender ao público. Muitos acabam indo para a área de ensino e pesquisa ou desenvolvimento de novos materiais e neste caso trabalham na indústria de lentes oftálmicas, outros trabalham na área administrativa no ramo óptico, podem também atuar como consultor de qualidade em laboratórios de montagem e surfaçagem. Portanto, é um mercado amplo, mas depende da especialização que o profissional vai seguir.

Em que aspectos da saúde ocular o optometrista atua?
A proposta do curso superior de Optometria é usar o conceito que ela tem no mundo inteiro, ou seja, o profissional é responsável pelo cuidado primário da visão. Então, é aquele profissional que oferece acesso mais fácil à população por atender em óticas ou em consultórios, que faz uma análise da saúde visual e, excluindo-se qualquer patologia, ele resolve as questões relativas aos óculos. Também destaco o fator prevenção aos problemas visuais, pois, caso o paciente seja portador de patologias como diabetes ou pressão alta, por exemplo, ele pode tomar os cuidados primários e fazer o encaminhamento ao oftalmologista.

Que cuidados ele deve ter na hora de prescrever lentes corretivas?
Ele deve ter noção das atividades que o paciente tem em seu dia a dia e não pensar só numa lente a ser indicada para uma criança ou alguém que trabalha diretamente com computador, mas indicar os tratamentos mais adequados para cada tipo de paciente. O optometrista precisa ter um conhecimento acurado para indicar ao paciente a melhor escolha em relação ao custo-benefício das lentes. Bem como ele deve entender os processos de como as alterações físicas da lente podem alterar as funções do olho, por exemplo, os raios UV. Mas ele deve ter a noção também da limitação da função dele, ou seja, no caso de patologias, ele deve encaminhar ao oftalmologista.

Qual é o perfil de estudante que procura o curso de Optometria da Braz Cubas?
Nos últimos 11 anos de trabalho como educador e professor, tenho observado que o perfil dos profissionais é formado por donos de óticas. Já tive alunos de mais de 50 anos, mas também há jovens recém-saídos do Ensino Médio. Muitos dos alunos vêm na Optometria a possibilidade de crescimento técnico de balcão e os mais antigos buscam no curso superior a possibilidade de conhecer as novidades do mercado na área técnica e também para melhorar sua relação no balcão. Portanto, a maioria que frequenta o curso já é da área.

Existe algum registro profissional?
Sim. Existe o Conselho Federal de Óptica e Optometria e os Estados têm Conselhos Regionais. Como a optometria existe desde 1933, com a criação do curso técnico e mais recentemente o superior, foram criados os conselhos profissionais para fiscalizar as pessoas que atuam sem ter formação. É uma forma de monitorar a atividade, bem como orientar os profissionais que extrapolam suas funções como optometrista, ou seja, cuidar de patologia é função do oftalmologista.

Como vocês trabalham os alunos em relação à atualização profissional?
Nós temos alguns mecanismos de atualização. Primeiro, a maioria dos alunos já são da área, então, em parte, eles já trazem algumas novidades. Segundo, nós incentivamos todos os alunos a participarem de todos os eventos e eles devem cumprir 80 horas por semestre de atividades complementares. Se eles não cumprirem as 480 horas dessas atividades complementares ao longo do curso, não conseguem se formar. Por exemplo, nós fazemos uma relação de eventos que devem participar. Para os que trabalham e não têm disponibilidade, procuramos organizar eventos na própria faculdade. Em alguns casos, os alunos fecham parceria com empresas para poderem se atualizar em determinadas áreas. Também trazemos profissionais do mercado para fazerem palestras na faculdade.

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