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Colírio não é água

Oftalmologia

Colírio não é água!

 

                                                     

O hábito de pingar colírios nos olhos sem recomendação médica ou além da posologia indicada pelo especialista representa sérios riscos à saúde ocular. Os danos causados variam de acordo com o colírio utilizado, mas vão desde vermelhidão sem cura ao desenvolvimento de glaucoma ou catarata precoce.

Quem faz o alerta são as oftalmologistas do Hospital Oftalmológico de Brasília/DF (HOB), Hanna Flávia Gomes e Maria Lúcia Rios, especialistas em glaucoma e córnea, respectivamente. Os tipos de colírio variam de acordo com a finalidade. Existem os antibióticos, os anti-inflamatórios com hormônio (corticóides) e sem hormônio, também há as lágrimas artificiais, os colírios vasoconstritores, além dos antiglaucomatosos e os anestésicos.

"O colírio, como qualquer outro medicamento, deve ser utilizado seguindo as determinações de um médico. O uso inapropriado da medicação pode lesionar o olho, causando problemas sérios e comprometendo, inclusive, a visão", explica Hanna Flávia Gomes. A seguir, as oftalmologistas explicam os tipos de colírios, suas principais indicações e os cuidados que todos devem ter ao fazer uso desse tipo de medicamento.

Vale a pena conhecer, não só como informação pessoal, mas também para eventualmente melhor orientar clientes em dúvida sobre o assunto.

"O colírio, como qualquer outro medicamento, deve ser utilizado seguindo as determinações de um médico. O uso inapropriado da medicação pode lesionar o olho, causando problemas sérios e comprometendo, inclusive, a visão", explica Hanna Flávia Gomes. A seguir, as oftalmologistas explicam os tipos de colírios, suas principais indicações e os cuidados que todos devem ter ao fazer uso desse tipo de medicamento.

Vale a pena conhecer, não só como informação pessoal, mas também para eventualmente melhor orientar clientes em dúvida sobre o assunto.

Os tipos de colírio e suas aplicações

 Antibióticos
                
          

Os colírios antibióticos são indicados quando há ação bacteriana no olho. Devem ter sua aplicação cuidadosamente administrada. A médica Hanna Flávia Gomes alerta que o uso prolongado de colírios antibióticos pode fortalecer as bactérias que atacam o olho, tornando-as mais resistentes e imunes ao tratamento. 'A longo prazo, assim como no colírio anestésico, o uso indiscriminado pode perfurar a córnea".

Vasoconstritor            
                 
O globo ocular é repleto de vasos sanguíneos que, quando dilatados, dão ao olho o aspecto vermelho. Para deixar o olho branco, muita gente pinga indiscriminadamente o colírio vasoconstritor, sujeitando-se ao chamado "efeito rebote", ilustrado pela oftalmologista Maria Lúcia Rios: "os vasos sanguíneos são elásticos, possuem a propriedade de contraírem-se e expandirem-se de acordo com a necessidade. Quando o paciente usa o colírio vasoconstritor, eles se contraem, em consequência circula menos sangue no globo ocular e os olhos ficam brancos.

No entanto, o uso excessivo faz com que os vasos necessitem de doses cada vez maiores de medicação para atingirem o aspecto branco". A especialista adverte que com o tempo, os vasos perdem a elasticidade e não conseguem mais contrair, dando aos olhos um aspecto vermelho para sempre. "Nesses casos não há tratamento que reverta a situação", alerta. "O olho não fica vermelho à toa. A vermelhidão é um sinal de que há algo errado. O ideal é que, ao menor sinal de vermelhidão, o paciente procure um oftalmologista


Corticóides
               

 

Dentre os anti-inflamatórios mais utilizados em situações alérgicas está o esteróide corticóide. Este tipo de colírio é o que requer mais cuidado, segundo Hanna Flávia. A especialista do HOB conta que muitos pacientes pingam o colírio depois do prazo estipulado pelo médico na tentativa de aliviar os sintomas de coceira, o que pode ser perigoso. "O corticóide deve ser usado estritamente sob recomendação médica. O paciente não pode pingar uma gota sequer além do indicado pelo especialista.

O uso indiscriminado dessa medicação pode levar à opacidade do cristalino, causando a catarata, e ao aumento da pressão intra-ocular, favorecendo o desencadeamento do glaucoma", adverte. "Há muitos pacientes que chegam ao consultório com defeitos oculares específicos de portadores de glaucoma, como perda do campo visual ou nervo óptico danificado. No entanto, já atendi casos ainda mais graves, como pacientes de 20 anos de idade com catarata causada pelo uso excessivo de corticóide. Há também pacientes cegos por glaucoma aos 25 anos por causa da utilização inapropriada do medicamento", conta a médica Hanna Flávia.

Antiglaucomatosos

Hanna Flávia explica ainda que os pacientes portadores de glaucoma figuram entre os indivíduos que mais utilizam colírios diariamente para o controle da doença e, por isso, também devem ficar atentos à utilização correta do medicamento. "O paciente não pode pingar os colírios em quantidade maior do que a indicada. Se isso ocorrer, o remédio deixa de fazer o efeito desejado e passa a estimular o aumento da pressão intra-ocular, revertendo o resultado e piorando o quadro de glaucoma", assinala.

Lágrimas artificiais

Muito utilizadas por pessoas que moram em locais de clima seco ou que se expõem a ambientes com arcondicionado ou ainda que trabalham por muito tempo na frente de computadores, as lágrimas artificiais também exigem cuidados na aplicação. O paciente pode usar a lágrima artificial ao longo de toda a sua vida, pois o produto em si não faz mal. No entanto, Maria Lúcia explica deve haver controle na dosagem. "Usar mais de seis vezes por dia pode causar intoxicação nos olhos por conta do conservante utilizado na fórmula das lágrimas", diz.

Cuidados na aplicação

Além do uso estrito do colírio de acordo com a recomendação médica, hábitos de higiene no manuseio são fundamentais. "O colírio é de uso pessoal e exclusivo. Não se deve emprestar ou indicar a outra pessoa. O fato gerador da vermelhidão ocular em um pode ser diferente do outro. É necessário evitar o contato entre o recipiente e a superfície ocular, a medicação pode ser contaminada. Por fim, após o tratamento, o paciente deve desprezar a sobra do medicamento", aconselha Hanna Flávia

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